Entre todos os livros, uma de minhas impressões mais fortes vem daquele provençal petulante, Petrônio, que escreveu a última Satura menippea*. Essa soberana libertação da “moral”, do “sério”, e até mesmo do gosto sublime, esse refinamento na mistura do latim vulgar e do latim “culto”, esse indomável bom humor, que salta com graça e malícia sobre todas as anomalidades da alma “antiga” — eu não saberia mencionar um só livro que teve sobre mim uma semelhante impressão libertadora: seu efeito foi dionisíaco. Em casos em que tenho a necessidade de me restabelecer rapidamente de uma impressão mesquinha — quando, por exemplo, devido à minha crítica ao cristianismo tive de respirar por muito tempo o ar pestilento do apóstolo Paulo —, bastam-me, como remédio heróico, algumas páginas de Petrônio e de imediato volto a me sentir saudável.

– nietzsche, Ecce homo.

* referência ao Satiricon, desse autor.

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