Pode-se, portanto, supor em nossa civilização, e no decorrer dos séculos, toda uma tecnologia da verdade que a prática científica e o discurso filosófico pouco a pouco desqualificaram, recobriram e caçaram. A verdade não é da ordem daquilo que é, mas do que ocorre: acontecimento. Ela não é constatada, mas suscitada: produção em lugar do apofântico. Ela não se dá pela mediação de instrumentos, ela se provoca por rituais; ela é atraída por astúcias, nós a captamos segundo as ocasiões: estratégia e não método. Deste acontecimento assim produzido ao indivíduo que o espreitava e que foi surpreendido por ele, a relação não é do objeto ao sujeito de conhecimento, é uma relação ambígua, reversível, belicosa, de mestria, de dominação, de vitória: uma relação de poder.

– michel foucault, A casa dos loucos (1975).

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