Coletivo Radiola Livre.

Poderia começar isso com a invenção do Rádio. Ou do Brasil. Ou do ser humano. Ou de quando, numa época de eleição em uma instituição social que se diz representar os estudantes do ensino superior de uma universidade mantida pelo Estado, alguns entusiastas se comprometeram, e fizeram outros prometerem junto, a criar uma rádio livre.

Mas não vou fazer nada disso. A nossa origem não está nos fatos. Não há datas, nem é preciso tê-las. Não há história — mas é preciso criá-la!

Então eis aqui uma, que não se pretende oficial. Afinal de contas não quero que, no futuro, um bando de crianças tenham suas infâncias parcialmente desperdiçadas em papagaíces lamuriadas por adultos que aprendem um monte de coisas, mas por algum motivo estúpido não chegam a aprender justamente para que serve uma simples história!

Nós fomos feitos por uns deuses aí; não me lembro quais, então qualquer um serve. A gente fez um monte de coisas, não necessariamente juntos e, na verdade, por um longo tempo bastante separados. Por acaso, e por interferência de algumas pessoas nesse acaso, e pela interferência do acaso em uma porrada de pessoas, começamos pouco a pouco a nos encontrar, um a um, devagarzim. Precisávamos, obviamente, de um lugar para isso. Esse lugar se materializa enquanto o sol se põe, uma vez por semana. E como o sol se põe no mundo inteiro, e em qualquer dia da semana, tanto faz onde e quando isso acontece. Mas é certo: se materializa, assim como o sol, ciclicamente.

Por algum motivo, os deuses que nos fizeram não gostaram de alguma coisa nisso tudo. Nunca disseram porque, e ninguém se deu muito ao trabalho de perguntar. Mesmo porque isso é um problema deles, não nosso. Mas de vez em quando eles vêm comer nossos fígados, que invariavelmente se regeneram a tempo de voltarem, os fígados e nós, na semana seguinte: pra mais um pôr-do-sol.

Temos feito isso desde que nascemos. Mas como cada um nasceu numa hora só sua, não dá pra dizer que isso, um dia, nasceu. De repente brotou, surgiu do chão feito mato. Ou feito uma flor. Ou um sol. Ele brota até nem-sei-quando, dá pra variar bastante até lá, né? Às vezes isso re-acontece, também.

Tem gente que gosta de samambaia: eu sou um exemplo. Gosto delas porque elas soltam esporos, são cheias de bolinhas e não conseguimos (ao menos os impacientes) contá-las. A gente olha, parece uma planta besta: mas fica aí, soltando um monte de esporos que só vemos quando olhamos mais de perto. Mais devagar. Porque eles não ficam se soltando feito pipoca também não. E elas tem um segredo muito sério, que precisamos ouvir rindo até as orelhas: elas possuem frutos-temporão.

É alguma coisa assim, mas não expliquei direito. Ah, melhor mesmo é ir lá ver; que escrever é muito perigoso…

Basicamente, é isso a história da Radiola.

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