Os expectadores também vêem o estrangeiro, mas só porque ele dissimula o deus a fim de oferecê-lo como é: um deus mascarado, cuja vinda trará a uns a plenitude da felicidade (e a outros, que não souberam vê-lo, a destruição).

Sublinha, ao mesmo tempo, as afinidades e o contraste entre duas máscaras: a trágica, que marca a presença de um indivíduo e afirma a identidade estável de um personagem; e a máscara de culto, onde o fascínio do olhar impõe uma presença imperiosa, obcecante, invasiva (mas de um ser que não está onde parece, que está também noutro sítio, em nós e em parte alguma…): eis o jogo que flutua na máscara que o deus e o estrangeiro usam.

É uma máscara «sorridente», que contraria as normas da máscara trágica; máscara diferente das outras, deslocada, desconcertante e que, no palco do teatro, em eco, é a figura enigmática de certas máscaras de culto dos deuses da religião cívica.

Um texto, portanto. Mas, tal como as imagens, os textos não são inocentes.

– jean-pierre vernant, Deuses, ídolos, máscaras.

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