Sim, veja: eu não sou levado à nostalgia das épocas anteriores, ao retorno à natureza, ao convívio que existiu até um determinado período histórico. E digo isso para lembrar que houve na História períodos de enorme difusão da produção mítica, cultural, sem indústria de comunicação de massa, inclusive na América pré-colombiana. Tivemos culturas, textos, etc., que passavam por um sistema de produção e difusão que eram multicentrados. Portanto, afirmar a necessidade de que grupos sociais diversos se reapropriem de um meio de expressão não quer dizer, necessariamente, particularizar a cultura e impedir a formação de uma teia de produções culturais. Quando uma idéia é válida, quando uma obra de arte corresponde a uma mutação verdadeira, não é preciso artigos na imprensa ou na tv para explicá-la. Transmite-se diretamente, tão depressa quanto o vírus da gripe japonesa. Essa idéia de um grand écran mundial como referente geral da mediação de massa para as coisas da cultura me parece profundamente perversa…

– felix guattari, Cartografias do desejo.

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