Ía a sair uma manhã, ao nascer do sol, como era habitual, quando um dos aborígenes do deserto (boximanes seguidores de trilhos) que estavam comigo se afastou de repente e foi-se sentar sozinho ao lado de um denso arbusto espinhoso.

Parei e esperei, um pouco impaciente pois queria prosseguir, mas ele continuou sentado perto do arbusto a olhar para ele como se fosse estar assim todo o dia. Perguntei então ao meu intérprete Boximane:

– Porque é que ele está ali sentado ao pé do arbusto? Não pode ir chama-lo e dizer-lhe que temos que continuar?

O meu intérprete respondeu, admirado por eu ter sugerido uma coisa tão chocante: “Não, não posso fazer isso”, disse-me com um ar severo. “Ele está a fazer um trabalho muito importante.”

– O que é? — perguntei.

– Está a sentir o pulsar.

Perguntei logo de seguida: “Que pulsar?”

– Um pulsar que nos diz coisas que estão para vir, coisas tão distantes que ainda não as podemos ver, e ele está a saber para onde devemos ir hoje.

E então, para se assegurar que eu tinha percebido a mensagem, disse: “Sabe, só um tolo deixava de ouvir o pulsar quando o sente dentro dele.”

Apeteceu-me dizer-lhe que o mundo estava cheio de tolos que nunca ouviam o pulsar de coisa nenhuma…

– van der post, 1979.

Encontrei por acaso, em um blog lusitano.

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