Saindo d’A Caverna.

A conclusão, portanto, em boa lógica, só poderia ser uma, Marta e Marçal iam deixar o Centro. Se o fizerem, será um disparate, dizia Cipriano Algor, de que é que vão viver depois, Essa mesma pergunta se nos poderia fazer a nós, disse Isaura, e nem por isso me vês preocupada, Acreditas na divina providência que vela pelos desvalidos, Não, o que creio é que há ocasiões na vida em que devemos deixar-nos levar pela corrente do que acontece, como se as forças para lhe resistir nos faltassem, mas de súbito percebemos que o rio se pôs a nosso favor, ninguém mais deu por isso, só nós, quem olha julgará que estamos a ponto de naufragar, e nunca a nossa navegação foi tão firme, Oxalá que a ocasião em que nos encontramos seja uma dessas.

– josé saramago, A caverna.

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