Por uma nova mídia, por novos hábitos.

Na medida em que nos tornamos, cada um, uma mídia na internet, deveríamos também pensar na responsabilidade que isso implica. Não repercutir idéias ou notícias sem antes pensar e se informar a respeito toma outra dimensão quando estamos falando de publicar a nós mesmos, a qualquer instante, para redes sociais e blogs de alcance imprevisível.

Como exemplo, jornais cuja visão de mundo e tendências políticas (e éticas) ficaram bem explícitas nos últimos meses, noticiaram que o governo quer proibir livros do Monteiro Lobato. Bem, isso é um típico exemplo de distorção dos fatos e de recursos retóricos para se esvalizar uma discussão, pois o fato ao qual a “notícia” se referia é um parecer do CNE, datado de setembro e disponível do site do MEC, em resposta a uma denúncia recebida em relação à obra Caçada de Pedrinho, do Monteiro Lobato, feita por um cidadão do Distrito Federal.

A legislação define que a seleção de livros para a rede de ensino deve se adequar às diretrizes da educação brasileira, tomando o devido cuidado em relação a questões ambientais, de gênero, discriminação e racismo, etc. Todo ano é preciso avaliar os livros disponíveis no mercado, publicar orientações e sugestões para as escolas, e nesse caso o parecer sugere algumas ações a serem tomadas: a) política pública para formação de professores capazes de lidar pedagogicamente e criticamente com obras consideradas clássicas presentes na biblioteca das escolas, que apresentem estereótipos raciais; b) que a coordenação-geral de livros didáticos do MEC atente sempre para os critérios, por ela mesma estabelecidos, na avaliação dos livros indicados pelo PNBE; c) nos casos de obras selecionadas por especialistas e que fazem parte do acervo do PNBE, e que apresentem preconceitos e estereótipos, o MEC deverá exigir da editora a inserção, na publicação da obra, de notas de esclarecimento ao leitor sobre as discussões atuais e pesquisas sobre o tema; d) que a secretaria de Educação do Distrito Federal orienta as escolas para que, internamente, estruturem a implementação do ensino de história e cultura afro-brasileira, incluindo a avaliação do acervo didático e definição de estratégias pedagógicas para seu uso; e) que essas ações sejam realizadas de forma a cumprir o Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.

Alguns jornais resumiram isso assim: “o governo quer vetar Monteiro Lobato”. Isso é informar o leitor? Isso é jornalismo?

E não é que o portal do Luis Nassif, que se ocupou esse tempo todo em justamente desmontar contínuas iniciativas de distorção dos fatos pela grande mídia, não acaba justamente replicando, sem nenhum comentário ou crítica, a mesmíssima nota dessa imprensa sobre esse parecer?

Eis aqui o texto mais sensato que li a respeito, e também o mais completo.

Nós somos responsáveis pelo que dizemos. E, na internet, somos responsáveis pelos links que criamos. Nunca se esqueçam disso.

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2 comentários sobre “Por uma nova mídia, por novos hábitos.

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