Tornemos contagioso o horror.

Eu fiquei pensando muito, e feliz, sobre os debates gerados pelo parecer do CNE a respeito de uma denúncia de um livro de Monteiro Lobato. Debates em redes sociais, no caso, no Facebook (já que o twitter, com sua restrição que só permite a emissão de grunhidos, seja tecnicamente avesso aos debates).

Vou escrever uma nota sobre como ler jornais, usando esse caso como exemplo. Por agora, vou só comentar algo que pensei em escrever mas que já escreveram por mim, e muito bem: a cara que tem nossa democracia racial.

O autor do Liberal Libertário Libertino (não, não é um jovem punk que só fala palavrão) escreveu a seguinte série de textos, Apartheid Brasileiro:

  1. A Couraça da Insensibilidade Social
  2. Crianças Mandando em Adultos
  3. Antipatia Cidadã vs Simpatia Servil
  4. Gente que Sabe o seu Lugar

Não é a primeira pessoa que, vivendo no exterior, acaba tendo uma visão muito diferente da nossa sobre nosso próprio cotidiano. Já conheci muito brasileiro morando fora me dizendo não querer mais voltar ao Brasil para morar, nunca mais. “Falta de segurança? Corrupção?”, “Não. Preconceito mesmo. Brasileiro é extremamente preconceituoso”. Uma dessas pessoas, usando dreadlocks e grisalho, contou-me de uma vez que, viajando pelo litoral em sua moto, percebeu que o pescador humilde, pobre, de uma vilazinha por onde ele passava, encarou-o de cima a baixo cheio de desconfianças e medo, negando-se a dar-lhe informações ou estabelecer minimamente alguma conversa. Essa pessoa vive há anos em Copenhague, satisfeito por trabalhar como mecânico sem que lhe tratem como um ser inferior, ou como alguém que não merece direitos trabalhistas claros e respeitados como em qualquer profissão. E sempre que vem ao Brasil para visitar os parentes, volta com mais experiências desse tipo para manter fresco na memória aquilo que mais lhe desagrada de seu próprio país.

Também tenho as minhas para contar, algumas memórias que retornam à infância na escola, o visível desprezo (e censura velada) por certos temas na universidade, os anos que trabalhei como garçom (não se enganem, sou branco de classe média com cara de rico, e de nível universitário; justamente por isso era tratado como alguém que, “apesar de”, era garçom). Escreverei sobre tudo isso, também. Ah, quase me esqueci de outra coisa: de como me sinto por ter decidido me batizar no Candomblé, eu, um pagão de nascimento. Tudo isso vale umas escritas. Ah, se vale.

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