Sobre karma.

Dando prosseguimento a outro texto, de outra autoria, sobre o mesmo tema. A maneira como os monges praticantes do zen encontram palavras para explicar as coisas simplesmente me encanta.

Então você insultou, não houve fruto direto. Mas há um hábito, o hábito de insultar. A mente que ofende. Samskara, a marca cármica, a energia do hábito.

samskara, monge genshô.

Zen.

Há uma analogia que sempre uso e que penso ser muito apropriada; é a das ondas do mar. As ondas são formas surgindo sobre o mar, cada onda parece ter uma individualidade, mas não passam de energia na água; não é a água que se move, é a energia que dá forma às ondas e na areia as ondas se quebram e morrem. Mas não vemos ninguém na areia lamentando a morte das ondas, não existe tristeza por ver as ondas quebrarem na praia. As pessoas olham para o mar e dizem, Que lindo! Por quê? Porque veem o mar.

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Um rei perguntou a um Monge: “A Terra está apoiada sobre o que?”, e o Monge respondeu: “Sobre um grande elefante”. “E embaixo do elefante o que tem?”, “Uma tartaruga”, respondeu o Monge. “E embaixo da tartaruga, o que tem?”, “Outra tartaruga… Majestade, é melhor pararmos por aqui pois daí em diante são só tartarugas”.

monge genshô.

Zen.

Uma vez eu estava fazendo uma palestra sobre o zen para um grupo de praticantes tibetanos. E eles costumam recitar mantras. Nós também temos mantras no zen, como o do final do Sutra do Coração da Sabedoria em que dizemos Gyate Gyate, hara gyate, hara so gyate, bodi sowaka. Que quer dizer, “Idos, ou chegados à outra margem, todos juntos, o despertar, salve” que é a margem da sabedoria ou iluminação. Os tibetanos, ao usarem os mantras, acreditam que estão influenciando o mundo com esses sons. Então um aluno perguntou, “qual o mantra mais sagrado?”. Eu poderia dizer que é o do final do sutra do coração. Mas como ele fazia a pergunta preso a essa questão de sons sagrados e rezas, eu lhe respondi, “quando você vai ao banheiro e usa o vaso sanitário e ouve o ruído…Pluf…esse é o mantra mais sagrado”. Como todos ficaram congelados eu expliquei, veja bem, o universo é uno, todos os sons são a voz de Buda, são voz búdica, é o universo se manifestando. A manifestação do universo. Quando você pensa esse som é sagrado e esse não é, é sua mente classificatória que está funcionando, uma mente que separa bom e ruim, bonito e feio. Quando você for ao banheiro e ouvir esse som como se fosse a voz de Buda, então você superou sua mente classificatória, sua mente conceitual e realmente viu tudo, então, esse é o mantra mais sagrado. Por isso as respostas dos mestres podem parecer aparentemente malucas, mas têm sentido.

monge genshô.

Zen.

Tudo é imperfeito — e não há imperfeição alguma nisso.

Micropolítica.

The world is not divided between East and West. You are American, I am Iranian, we don´t know each other, but we talk and we understand each other perfectly. The difference between you and your government is much bigger than the difference between you and me. And the difference between me and my government is much bigger than the difference between me and you.

And our governments are very much the same.

– marjane satrapi

Não se trata de finezas teóricas. Milhares de empresas poluem os rios. Os empresários e os seus economistas explicam que jogar os dejetos no rio é mais barato, que os ambientalistas são uns exagerados, que a produtividade e competitividade é mais importante, pois assegura mais empregos, e em última instância mais bem-estar via salários. No entanto, o dinheiro economizado pelas empresas, ao não se equiparem para a proteção do meio ambiente, resulta em rios poluídos. Estes por sua vez geram doenças e enormes gastos em saúde curativa, além de perda de lazer e prejuízo de outras atividades como pesca ou turismo. Pagando com os nossos impostos, as prefeituras terão de proceder à recuperação da água poluída, com custos dezenas de vezes superiores ao que teria sido o custo da prevenção. O resultado prático é uma sociedade que perde dinheiro, além de perder qualidade de vida.

– Gestão social e a transformação da sociedade, artigo de ladislau dowbor.