Crônica de uma morte anunciada.

Há pelo menos um mês, irmã Geraldinha vive como foragida. Deixou a cidade e nunca sabe aonde vai dormir para tentar driblar seus algozes, que a ameaçam desde 2006. Como proteção, conta apenas com a ajuda de amigos. A polícia afirma que, até que fique comprovada a veracidade das ameaças registradas em vários boletins de ocorrências, não pode fazer nada. Foi assim também com a irmã Dorothy, que recebeu inúmeras ameaças até que sua luta foi encerrada com seis tiros: um na cabeça e cinco no corpo.

- do post sobre irmã Geraldinha, que ao que tudo indica morrerá igual irmã Dorothy: assassinada numa emboscada, e sem culpados.

aforismos.

Estômagos leves. Estar no mundo deveria ser visto como uma questão de afetos — não de afetações.

Aqui na universidade produzem “conhecimento”. Lá fora, sabedoria.

Tudo o que eu penso da Capoeira, um dia escrevi naquele quadro que está na porta da Academia. Em cima, só estas três palavras: Angola, Capoeira, mãe. E embaixo, o pensamento: Mandinga de escravo em ânsia de liberdade, seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista.

Saem daqui da Academia sabendo tudo. Sabendo que a luta é muito maliciosa e cheia de manhas, que a gente tem de ter calma. Que não é uma luta atacante, ela espera. Capoeirista nunca dizia a ninguém que lutava. Era homem astuto e ardiloso, como a própria luta, que se disfarçou com a dança para sobreviver depois que chegou de Angola. Capoeirista é mesmo muito disfarçado. Contra a força só isso mesmo. Está certo.

Ninguém pode mostrar tudo o que tem. As entregas e revelações têm de ser feitas aos poucos. Isso serve na Capoeira, na família, na vida. Há segredos que não podem ser revelados a todas as pessoas. Há momentos que não podem ser divididos com ninguém.

Os negros usavam a Capoeira para defender a sua liberdade. No entanto, malandros e gente infeliz descobriram nesses golpes um jeito de assaltar os outros, vingar-se de inimigos e enfrentar a polícia. Foi um tempo triste da Capoeira. Eu conheci, eu vi. Nas bandas das docas… luta violenta, ninguém a pôde conter. Eu sei que tudo isso é mancha suja na história da Capoeira, mas um revólver tem culpa dos crimes que pratica? E a faca? E os canhões? E as bombas? A Capoeira Angola parece uma dança, mas não é não. Pode matar, já matou. Bonita! Na beleza está contida sua violência.

- Mestre Pastinha.

Galo cantô!

Eu já vivo enjoado
de viver aqui na terra
ó mamãe eu vou pra lua
falei com minha mulher
ela então me respondeu
nós vamo se Deus quiser
vamo fazer um ranchinho
todo cheio de sapé
amanhã ás sete horas
nós vamo tomar café

E eu que nunca acreditei
não posso me conformar
que a lua venha a terra
que a terra vá luar
tudo isto é conversa
pra comer sem trabalhar
o senhor amigo meu
veja bem o meu cantar
quem é dono não ciúma
quem não é quer ciumar…

- ladainha de Mestre Pastinha.

Utopias piratas.

A “vanguarda” fracassou, os renegados desapareceram, e sua cultura incipiente de resistência se evaporou com eles. Mas a experiência deles não foi sem sentido, nem merece ser enterrada no esquecimento. Alguém deve saudar-lhes o fervor insurrecionário, e suas “zonas autônomas temporárias” às margens do Rio Bou Regreg, no Marrocos. Que este livro sirva de monumento a eles. E que por meio dele os renegados re-entrem nos pesadelos da civilização.

-Peter Lamborn Wilson, “Hakim Bey”, no fim de seu livro Utopias Piratas.

Novos aliados.

Abaixo-assinado rolando no site oficial do grupo Teat(r)oficina Uzina Uzona (reparem que tem um link NOVO ali no canto do blog!).

Abaixo assinado do povo do Bexiga e outras regiões do Brasil e do Mundo, em apoio à construção no entorno tombado do Teatro Oficina, juntamente com Silvio Santos, os Poderes Públicos, Privados, e todo Povo de São Paulo, do “AnhangaBaú da Feliz Cidade”, proposto pelo Teat(r)o Oficina, um dos mais importantes teatros do mundo contemporâneo, que este ano completa seu meio século de existência.

Eles tão perigando perder tudo pro grupo SS, isto é, Sílvio Santos, que quer derrubar tudo por ali e construir… 720 apartamentos.

das coisas lindas de Deus.

Sabe quando a gente vê uma coisa e fica com aquela fézinha boa renovada na humanidade? Pois mirem:

Acho, diferentemente de Caetano, que temos em Lula o primeiro presidente antropófago brazyleiro, aliás Lula é nascido em Caetés, nas regiões onde foi devorado por índios analfabetos o Bispo Sardinha que, segundo o poeta maior da Tropicália, Oswald de Andrade, é a gênese da história do Brazil. Não é o quadro de Pedro Américo com a 1ª Missa a imagem fundadora de nossa nação, mas a da devoração que ninguém ainda conseguiu pintar.

Lula começou por surpreender a todos quando, passando por cima das pressões da política cultural da esquerda ressentida, prometeica, nomeou o Antropófago Gilberto Gil para Ministro da Cultura e Celso Amorim, que era macaca de Emilinha Borba, para o Ministério das Relações Exteriores, Marina Silva para o Meio Ambiente e tanta gente que tem conquistado vitórias, avanços para o Brasil, pelo exercício de seu poder-phoder humano, mais que humano.

Phoderes que têm de sambar pra driblar a máquina perversa oligárquica, podre, do Estado brasileiro. Um estado oligárquico de fato, dentro de um Estado Republicano ainda não conquistado para a “res pública”. Tudo dentro de um futebol democrático admirável de cintura. Lula não pára de carnavalizar, de antropofagiar, pro País não parar de sambar, usando as próprias oligarquias.

Do artigo do José Celso Martinez Corrêa, publicado no Estadão e ecoado na internet, em resposta às opiniães do Caetano, aquele fenômeno de visão política que um dia disse: votemos no Collor!

Em tempo: Zé Celso, muitíssimo obrigado por me devolver a vontade de ir ao teatro!

Os dispostos se atraem.

Que pobreza! Nós sonhamos com outras coisas, mais clandestinas e mais alegres. Não faremos mais concessão alguma, já que necessitamos menos delas. E sempre encontraremos aliados que queiramos e que nos queiram.

- gilles deleuze, Carta a um crítico severo em: conversações.

As regras do jogo.

O jogo já começou e novos jogadores podem entrar a qualquer instante.
O jogo não é competitivo.
Todas as regras podem mudar.
O processo coletivo define a regra.

Que coisa mais linda.

Tire do EIA – Experiência Imersiva Ambiental.

capoeira zen?

Acreditamos no equilíbrio natural das coisas, no equilíbrio entre os povos, entre as energias positiva e negativa, entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, entre o eu e o outro. Na natureza não existe um poder que equilibra a relação entre o cão e o gato, se não ela mesma, na natureza não existe um juiz que diz isto é certo ou errado, na natureza não é necessário um poder para ordenar e equilibrar a caça do leão ou a morte do veado. A natureza não tem Estado, não tem leis, não tem rei ou presidente, a natureza é mãe de si mesma. É o cáos que se ordena através de seu próprio direito de desordenar. Não comandamos a natureza, apenas vivemos dela como simples animais. Então, que direito temos de sermos patrões do saber a ponto de querer ordenar o cáos que a natureza ordena por toda sua eternidade? Não somos proprietarios de nossa propria natureza! Como poderemos então haver o poder de ordená-la? Acreditamos que o equilíbrio nasce naturalmente. Então deixemos que o universo seja soberano naturalmente. Deixemos de pensar que detemos o poder de ordenar. Acreditamos na Capoeira Angola como fruto de nossa natureza, e como na natureza a Capoeira Angola também se equilibra naturalmente. Então deixemos que a Capoeira Angola seja soberana de sua própria natureza, naturalmente. No universo da Capoeira Angola a Roda é uma estrela e nos somos os planetas, uns mais velhos outros mais novos, mas todos em busca de seu próprio lugar e de um equilibrio que só a Capoeira Angola, naturalmente, é capaz de ordenar. Liberdade, solidariedade e respeito para nós todos, Axé Baba, Axé Camarada.

- do site http://www.movimentoangola.com.

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